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El Tío

Ch’alla , El Tío: (n) Ch’alla é o espírito guardião da mina / das montanhas: o diabo que é proprietário das minas e para quem ofertas devem ser feitas. Touro, parte diabo, parte homem branco, ele requer ofertas semanais de coca , álcool e tabaco. El Tío de la mina representa a fertilidade e renovação. Há um ditado que diz que os mineiros comem as minas (ganham a vida a partir delas) e são comidos por elas (literalmente por problemas de saúde, mas também social e simbolicamente). Ch’alla tornou-se um símbolo da resistência e de organização sindical. WVU [Para os mineiros, ele é] o senhor do submundo. Há muitas estátuas deste espírito, El Tío governa, oferecendo simultaneamente proteção e destruição. Mineiros trazem oferendas, como cigarros, folhas de coca, e álcool para as estátuas e acredita-se que se El Tío não é alimentado, ele vai tomar o assunto em suas próprias mãos.

Definição do Dicionario Inca/Andino ( Quechua-Aymara) http://despertar.saberes.org.br/saberesancestraistradicionaisnativos

Carnaval de Oruro

     O Carnaval de Oruro é famoso mundialmente, celebração coletiva anual, ocorre em fevereiro e é realizada em dois dias, o primeiro é uma reverência à Virgen de Sucavón ( Santa católica fruto de uma mitologia combinada entre a religião cristã e o idioma simbólico da cosmovisão andina pre-hispânica) realizado no sábado o final do desfile acontece  na Igreja da Virgen, abaixo desta igreja situa-se a mina da Virgen, ainda em funcionamento onde há três imagens de El Tio, aberto para visitantes; o segundo dia  é destinado ao Carnaval, à festa, à catarse coletiva.

     

       "Diferente da simbologia cristã a mitologia andina não necessita ter alguem ruim para ter alguém bom, o que prevalece é o equilibrio dual entre tudo o que necessita existir e precisamos ver e reconhecer pois esta simbologia nos habita e nos representa como natureza."(...) palavras do mediador com formação em Antropologia em visita na Mina de Sucavón quando perguntado sobre El Tio ser o diabo cristão.

    

     A Bolívia tem 09 estados, ocorrendo carnavais em vários deles; em Oruro são mais de 48 grupos conjuntos folklóricos distribuidos em 18 especialidades de dança que realizam sua peregrinação pela cidade na famosa Entrada no sábado de Carnaval.

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Anata Andina

Um dia antes do carnaval oficial de Oruro, comunidades inteiras de povoados próximos à cidade de Oruro vem realizar seu desfile, eles reverenciam à Pachamama e agradecem pela fertilidade da terra e a colheita de seus alimentos, estes são levados nas costas dos dançarinos mostrando as belezas da mãe terra, são liderados por líderes políticos e espirituais de cada comunidade , esse desfile é chamado de Anata Andina, também conhecido pela realização de rituais como La k'oa à deusa.

Na cosmovisão andina temos o equilíbrio entre os elementos mitológicos, uma dualidade na existência dos elementos de sua cosmogonia, portanto o carnaval reverencia igualmente  a Pachamama e El Tío.

La Diablada

Neste contexto temos o nome Diablada de Oruro, os espanhois, a partir da conquista e colonização produziram um sincretismo religioso de tranculturação com Wari, sintetizado en El Tío que ficou como o diabo universal e Pachamama, por sua vez, foi nomeada como a Virgen de Sucavón.

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